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Redescobrindo meu potencial criativo

O resgate do potencial criativo existente dentro de cada um de nós está intimamente relacionado ao retorno do prazer em nossas vidas. Atualmente muitos falam sobre “qualidade de vida”, tema estritamente aliado à necessidade do prazer na construção de uma vida saudável e dinâmica. No entanto, percebemos que cada vez mais este é um tema discutido e pouco aplicado. “Qualidade de vida”, para muitos, é algo inatingível e restrito aos poucos que detêm um poder financeiro mais elevado. Isso será mesmo verdade? Então, estaria a criatividade restrita a classe alta?

O que significa “Criatividade”? Segundo Alexander Lowen, pai da Bioenergética, criatividade é: “…olhar o mundo com uma visão nova. Não tentar resolver novos problemas através de antigas soluções, abordando a vida com os olhos curiosos e abertos e com a imaginação de uma criança.”(in Prazer – Uma abordagem Criativa da Vida, p. 208). Será a criatividade restrita àqueles que têm acesso à cultura? Serão estas pessoas as únicas capazes de intervir em suas vidas de um modo mais flexível? Se atentarmos para o modo de vida de muitas pessoas de classes sociais distintas, perceberemos que a flexibilidade de agir e perceber o mundo não é algo restrito a classe social. Criatividade é expressão de flexibilidade e de um agir também mais livre, no sentido de estar em maior conexão com aquilo que desejo, o que a realidade me permite e aquilo que posso realizar.

Um viver criativo exprime capacidade de atuar de modo dinâmico, sem se ater a padrões antigos, mas também respeitando limites internos e externos. E o prazer, onde se encontra em toda esta grande equação da vida? Sim, o prazer é o motor gerador de toda energia necessária a um viver criativo. Prazer no sentido de saborear de forma sadia a vida. Não me refiro aqui ao prazer pelo prazer, ao prazer vazio que busca preencher simplesmente um enorme “vazio”. Não me refiro à ÉTICA do divertimento pelo divertimento, da busca pela felicidade através do “Ter que se divertir e sentir prazer em tudo”. Refiro-me ao prazer espontâneo, à entrega ao sentimento verdadeiro e não a algo fabricado. Deste prazer real, que pode ser o prazer de levantar-se e olhar o nascer do sol, de perceber-se vivo e respirando, etc… que deriva a verdadeira possibilidade de ser criativo e viver criativamente.

Acredito que o potencial de criatividade existe dentro de todos nós. Entretanto, durante nossa história de vida, que construímos a cada dia, aprendemos formas estereotipadas de viver e de reagir a estímulos. Estas formas repetitivas surgem na medida em que há pouca percepção da nossa real necessidade e, dentro desta, o que podemos produzir no meio ambiente em que vivemos. Portanto, a consciência é consciência de si e do meio externo e de como construir a partir destas.

A criatividade é essencial a nossa sobrevivência ,e mais: a nossa sobrevivência enquanto seres saudáveis e integrados. O prazer, a consciência de si mesmo e do mundo que nos cerca, são essenciais à vivência da criatividade assimilada ao dia-a-dia. O processo de grupo facilita a conscientização de si mesmo e da capacidade para desenvolver o potencial criativo. A re-descoberta daquilo que sou capaz de criar é o re-descobrimento daquilo que sou capaz de me tornar. A transformação que advém desta consciência é a modificação assumida daquilo que vivenciamos e nos toca a cada dia. Podemos optar por mudar ao “sabor do vento” ou a partir da consciência de onde estamos, para onde podemos ir e onde desejamos chegar em nossas vidas.

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