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As Propagandas de Bebidas Alcoólicas na Mídia Brasileira

Inicialmente, convém relembrarmos que o álcool é um depressor do sistema nervoso central, ou seja, é Droga Psicotrópica, que pode causar dependência e sérios problemas físicos e emocionais. Sabemos ser gravíssimas as conseqüências do uso crônico do álcool, assim como há riscos implícitos ao uso abusivo, ainda que realizado apenas às vezes. Os riscos para os bebedores crônicos vão das elevações de pressão arterial, às úlceras, problemas cardíacos, à cirrose hepática, às hepatites, tumores de laringe e esôfago, dentre outros. 

Todos sabem, atualmente, que o Brasil ocupa os primeiros postos, nas estatísticas mundiais de acidentes de trânsito com vítimas; as bebidas alcoólicas são a base desse problema. Também em relação à violência doméstica e à violência sexual, temos, infelizmente, o álcool como uma das principais explicações.

Devemos, ainda, considerar que os próprios pais, muitas vezes, estimulam o consumo de bebidas pelos filhos, ora pelo próprio exemplo – pais que bebem com freqüência, ora pelas “brincadeiras”: deixam a criança tomar a “espuminha do chope” ou misturam vinho aos refrigerantes para elas. Como consideramos em outra ocasião, o álcool, muitas vezes, é compreendido como um símbolo de poder e virilidade para os adolescentes e, também, para os pais.

Todavia, esta presente reflexão visa compreendermos melhor o risco que está implícito nas propagandas de bebidas que são divulgadas pela mídia. Lembremos que há propagandas que são dirigidas ao público infantil, abusando da imagem de desenhos animados, de bichinhos (tartaruguinhas, sirizinhos, tatuís, etc). As crianças não têm capacidade de compreender o que está sendo passado através da propaganda. Destacamos que são estudos muito bem embasados em princípios do marketing e da psicologia do consumo, criando uma legião de futuros consumidores das substâncias. 

Há, ainda, diversas propagandas voltadas ao público jovem que abusam da imagem de mulheres bonitas e homens de sucesso, no campo das relações afetivas e sexuais. Além disso, atualmente, estamos vendo uma série de “novas bebidas”, as chamadas bebidas “ices” que estão voltadas para mercado adolescente. São espécie de refrigerantes alcoólicos à base de bebidas fortes (uisque, vodka, vinho, cachaça, etc). Desta maneira, as empresas estão criando um novo mercado consumidor, que no futuro, possivelmente, passará das bebidas “ices” para as bebidas citadas, mais fortes em teor alcoólico, propriamente ditas. 

Como podemos observar, os riscos são grandes. Trata-se de uma política de propaganda voltada para públicos consumidores que não sabem que estão sendo “seduzidos” para o uso do álcool. As crianças e os adolescentes, nesse sentido, são extremamente vulneráveis às excelentes campanhas publicitárias. 

Considerando-se o material exposto, resta-nos reforçarmos a idéia de que a prevenção é uma importante alternativa para conscientizar aqueles que já estão fazendo uso de Drogas e prevenir, de fato, outros, para que não iniciem o uso abusivo. As campanhas preventivas devem estar na mídia e, principalmente, voltadas aos projetos educativos. Todos os colégios deve ter programas contínuos de educação preventiva que atinja aos alunos, aos pais, professores e funcionários. Afinal, a prevenção ao uso abusivo do álcool e de outras drogas é uma questão de educação. Bons educadores não podem se furtar de suas obrigações, tendo em vista que as escolas são um locus privilegiado para os programas de educação preventiva. 

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