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Estresse – À Beira de um Ataque de Nervos

O cotidiano, com sua dinâmica acelerada, o trânsito, o trabalho, o desemprego, o excesso de estimulação, o lazer compulsivo, a falta de perspectiva, a aposentadoria, as crises conjugais, a falta de diálogo, a solidão, bem como acontecimentos como casamento, gravidez, sucesso profissional, esses considerados episódios positivos, são situações que podem ocasionar aumento de estresse. O que as experiências citadas têm em comum é que implicam mudanças de hábitos e exigem um grau profundo de introspecção que pode trazer a tona conflitos emocionais não solucionados.

Não sendo exatamente uma doença, o estresse é uma questão de sobrevivência em situações atípicas, nas quais o funcionamento do organismo se altera para que possamos “dar conta do recado”. Resumindo, é uma quantidade maior de tensão física ou emocional a que um organismo é submetido. Torna-se ele perigoso, no entanto, quando se prolonga indefinidamente e não mais conseguimos retornar ao estado normal.

Mais especificamente, podemos dizer que o corpo é um sistema integrado, no qual existem hormônios envolvidos no processo que permite ao cérebro prestar atenção, relacionar idéias, ser criativo, etc., funções essas necessárias à sobrevivência. Em situações estressantes, uma descarga de adrenalina interfere no ritmo de atividades do pulmão, do cérebro e do estômago, eleva a temperatura, aumenta a transpiração, enfim, provoca uma revolução interna, mantendo-nos em estado de alerta até que o evento termine.

Resolvido o problema, o esperado é que voltemos ao que os médicos chamam de homeostase, estado de equilíbrio físico e psíquico. Todo esse processo é necessário e salutar. Significa que temos condições de adaptação a momentos que nos exigem mais do que o habitual. Nosso corpo está preparado para que os momentos de estresse, seguidos por uma reação física do tipo lutar ou fugir, causem poucos danos. No entanto, quando a resposta fisiológica ao estresse não é descarregada – devido às conseqüências sociais – há um efeito cumulativo no corpo, denominado estresse crônico.

É importante ressaltar ainda, que evitar sempre acontecimentos e situações estressantes, além de ser tarefa impossível, seria pouco saudável, de vez que o estresse, mantido sob controle, torna-se uma força positiva que nos ajuda a melhorar o desempenho e a eficiência, mantendo-nos alerta e menos sujeitos a riscos. Por outro lado, no caso do estresse crônico, há hoje a idéia, cada vez mais aceita, de que tenha papel fundamental no desenvolvimento de determinadas doenças como câncer, herpes, úlcera, obesidade, diabetes, asma, hipertensão, ataques cardíacos, resfriados, distúrbios menstruais, impotência, frigidez e ejaculação precoce, entre outras.

Outro aspecto interessante relacionado ao estresse é o fato de ser o homem o único dos seres capaz de produzi-lo em si próprio. É sabido que nas sociedades primitivas, a sobrevivência dependia da identificação imediata do perigo e uma escolha rápida entre lutar e fugir. Nos animais, semelhantemente, o estresse tem a ver com o estímulo externo, como o ataque de um predador. O animal sob ameaça de agressão em seu habitat escolherá fugir ou lutar. Esse fato se armazenará em sua memória e poderá ser-lhe de grande importância para seu próximo combate. Porém, por falta de um córtex cerebral, animal algum pode entregar-se a batalhas ou fugas imaginárias, produzindo pensamentos capazes de despertar emoções negativas e conflitos íntimos por conta de um episódio passado, como é comum no ser humano.

Além disso, nossa vida na sociedade moderna obriga-nos freqüentemente a inibir nossas respostas de luta ou fuga. Assim é, por exemplo, quando um policial nos pára por conta de uma infração no trânsito ou quando o chefe nos censura o desempenho em alguma situação de trabalho. Nessas circunstâncias, como a resposta “luta” ou “fuga” seria pouco aceitável socialmente, temos que passar por cima de nossas reações. Durante várias ocasiões num dia anulamos nossas reações corporais ao estresse – quando cometemos um erro, um carro buzina atrás com insistência, quando temos que esperar em filas intermináveis, quando perdemos um ônibus e assim por diante. Numa rotina marcada por todos esses sobressaltos, o organismo se rende ao clima de tensão e, silenciosamente, passa a “rodar” em velocidade acelerada.

Na medida em que represamos as emoções, acreditando que, do contrário, as pessoas nos tomariam por desequilibradas e vulneráveis, tão mais nosso nível de tensão emocional e corporal aumentará. Por isso, nem sempre o melhor meio de evitar o estresse é não chorar, ficar alegre e sorrir. Quando “forçamos a barra” para não deixar transparecer o que “nos vai por dentro”, nos matamos um pouco, desenvolvendo uma “casca grossa” – a couraça – capaz de reduzir não só o impacto do meio sobre nós, como também nossa capacidade de responder coerentemente diante de determinada situação ou de ir em busca de algo que desejamos. Tudo isso provoca a insensibilização tanto para as forças positivas quanto para as negativas, incapacita tanto para a hostilidade, quanto para o amor.

Pode parecer que essa “neutralidade” poderá nos isolar do estresse habitual da vida. Ocorre o contrário. O encouraçamento nos cobra um elevado gasto de energia e, ao nos desgastarmos, ficamos menos resistentes ao estresse. Além disso, tornamo-nos cada vez mais limitados e padronizados numa espécie de inércia ao lidarmos com determinadas situações, como se não houvesse saída, esperando um sinal de outro indivíduo que nos diga que rumo tomar.

Para o resgate dessa consciência, precisamos de um trabalho de sensibilização. Através dela, as pessoas tomam contato com suas sensações e sentimentos, tendo uma maior facilidade de lidar com as situações estressantes e fazendo com que elas trabalhem a nosso favor, como agente propulsor em nossas vidas.

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