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Câncer? menos mal…

Certamente, todos já ouvimos alguém falar no jornalístico da televisão, em depoimento marcado por um misto de espanto e desespero, que “eu não esperava que isso pudesse acontecer comigo”. Mas, como foi na tv, distante, continuamos achando o mesmo – que aquilo de ruim que aconteceu é coisa impossível de nos atingir.

Assim se dá com o câncer. Sabemos do caso do parente do vizinho, do comerciante da esquina, do artista famoso… mas não visualizamos a menor possibilidade de acontecer conosco ou com um familiar nosso.

Infelizmente, nem sempre é assim. Na maioria das vezes, é bem verdade, por conta de falta de cuidado, principalmente daqueles em cujo histórico familiar haja casos da doença e que, por isso, têm maior predisposição ao câncer. A esses, em especial, conquanto seja impossível afastarem-se de todos os fatores ambientais cancerígenos, recomenda-se que se submetam regularmente a exames preventivos, o que nem sempre é seguido.

Mister se faz também, que tenhamos em mente que determinados agentes externos que podem ser evitados são responsáveis por grande parte das incidências. Temos, por exemplo, maior quantidade de casos de câncer de pulmão entre tabagistas, de pele entre pessoas que se expõem demasiadamente ao sol, câncer de boca ligado ao excesso de bebidas alcoólicas e assim por diante. 

A supressão de hábitos nocivos, como os mencionados acima, dietas alimentares mais sadias, evitar tensões emocionais desnecessárias, dentre outros fatores, reduzem em muito os riscos de se desenvolver a doença.

É importante frisar, contudo, aos que tiverem o dissabor de contraí-la, que vai longe o tempo em que o diagnóstico de câncer era como uma sentença de morte e, embora ainda seja a segunda doença que mais mata no mundo, com cerca de seis milhões de óbitos por ano, se detectado precocemente e mediante tratamento adequado, em 90% dos casos se atinge a cura.

Ressalve-se que esses índices de sucesso atingidos atualmente não são obra do acaso, mas sim resultado de avanços tecnológicos significativos ocorridos nas últimas décadas, com o desenvolvimento de verdadeiro arsenal terapêutico anti-câncer.

São novas técnicas cirúrgicas, descoberta de dezenas de medicamentos quimioterápicos, otimização de tratamentos à base de radioterapia e, mais recentemente, a inserção da hormonioterapia no combate a determinados tipos de tumor. Esses recursos, aplicados de forma combinada ou separadamente, levando-se em conta a individualidade do diagnóstico e as condições do paciente, permitem que se trate o mal minimizando a agressão ao organismo e proporcionando o conforto e bem-estar possível em cada caso.

A contribuir também para esse bom desempenho está a presença de profissionais de diversas áreas de saúde no acompanhamento ao paciente. Atualmente, são compostas equipes multidisciplinares, envolvendo médicos de diferentes especialidades, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, enfermeiros e assistentes sociais, entre outros, com intuito de administrar o tratamento mais correto e menos invasivo, melhorando, com isso, a qualidade de vida do paciente.

Neste contexto, um dos aspectos mais importantes é o emocional. Ao contrário do que se acreditava nos primórdios da medicina, de que o corpo e a mente seriam duas “entidades” separadas, um grande número de pesquisas recentes evidenciam, cada vez mais, a associação entre as variáveis psicológicas e a formação e o desenvolvimento de neoplasias. 

Ao estudo dessa relação interdisciplinar denominou-se Psico-Oncologia, especialidade da Psicologia de Saúde que se ocupa dos fatores psicossociais ligados à oncologia, desde a sua prevenção. É considerada hoje poderosa aliada ao tratamento médico convencional, fornecendo-lhe os subsídios indispensáveis ao enfrentamento da doença e à manutenção da dignidade do paciente e de seus familiares, mesmo nos momentos mais difíceis do processo.

As intervenções psicológicas, sejam elas através de atendimentos terapêuticos individuais ou em grupo, bem como de participação em grupos de apoio, são essenciais, pois promovem o equilíbrio emocional necessário a que o sistema imunológico reaja e auxilie o combate à doença e evitam sentimentos de frustração, animosidade, depressão e desmotivação com o tratamento, muito freqüentes em pacientes oncológicos.

Por tudo isso, está chegando o tempo de se reagir com tranqüilidade ao diagnóstico: É câncer? Então, menos mal…

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