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Autoconhecimento: um primeiro passo rumo ao patamar do respeito

Vivemos em um mundo marcado por fortes exigências. Se você está dentro dos padrões da moda, por exemplo, sofre para manter-se dentro deles. Se você está fora, sofre preconceito (ou coisa do gênero) por não estar dentro. E assim ocorre em todas as esferas, inclusive na economia: se não estamos do lado dos EUA, adeus FMI; e se estamos, não há garantias de que continuaremos a “lucrar” enquanto um país separado e diferenciado do “todo poderoso”.

Diariamente sofremos fortes pressões para que nos comportemos de uma determinada maneira. E essas pressões chegam a nós, na grande maioria das vezes, através de um veículo extremamente necessário na atualidade: a mídia.

A mídia enquanto mídia não nos oferece risco algum. Ela está lá, simplesmente cumprindo seu papel. O risco está na forma como a maioria das pessoas se utiliza dela. Padrões de comportamento são ditados e, com isso, uma massa manipulável torna-se submissa aos desejos e vontades desta “vilã”.

Sem se questionarem, as pessoas começam a agir da forma como DEVEM agir, mas não necessariamente QUEREM agir. A exemplo disso, temos o mito do corpo perfeito. Com o objetivo de se parecerem com as imagens das modelos corrigidas pelo Photoshop, as pessoas estabelecem uma relação nada saudável com seus corpos. Estes, ao invés de serem vistos como parte da natureza humana, são vistos como obstáculos: coisas que impedem a felicidade daqueles que não são “deuses(as) da era da informática” e, a troco de uma imagem vendida, as pessoas não se alimentam corretamente, levantam mais pesos do que seus corpos são capazes de suportar, ingerem uma alta quantidade de anfetaminas, etc. Um outro exemplo de padrão ditado que leva a pessoa à cegueira é o caso do “bom samaritano”. Todos, indistinta e fervorosamente, devem praticar o bem e ter atitudes e pensamentos positivos acima de tudo, mesmo que seja para com o seu pior inimigo ou em uma situação crítica da vida da pessoa. Com isso, sentimentos como a raiva, a tristeza e o ressentimento passam a ser vistos como sentimentos a serem reprimidos, pois não pertencem à natureza humana…

Da mesma forma como um maremoto faz parte da magnitude dos mares, o terremoto faz parte do esplendor das terras. Com o ser humano as coisas não poderiam ser diferentes, pois fazemos parte da natureza que compõe o planeta.

Certamente as pessoas se esquecem disso, julgando-se mais importantes do que todos os outros seres. E, de tão importante que são, acabam se achando no direito de destruir, dia após dia, sua morada (corpo físico e planeta).

Essa falta de respeito se dá não somente em termos de morada, mas também em termos de idéia, pois para serem “politicamente corretas”, as pessoas passam por cima dos seus sentimentos, sonhos, ideais… E, inquestionavelmente, agem de acordo com o que lhes é vendido, haja vista a atividade de venda ser uma das mais importantes missões de um ser na Terra. Produzir e consumir: o que mais há de tão importante a não ser obter um status através do seu diploma ou do carro do ano?

Nossos sentimentos foram levados ao nível do banal e a razão está cada vez mais valorizada. Entretanto, sentimento e razão encontram-se em planos completamente distintos: não podemos lidar com os sentimentos da mesma maneira como lidamos com a razão, pois a última é controlável ao passo que o primeiro não. A razão tem grande importância para nós: ela coloca um foguete no espaço e nos permite colocar um texto na Internet (entre outras coisas). A questão também não é a razão, mas sim a forma como as pessoas a valorizam e se esquecem de serem simplesmente seres humanos, com pólos positivos e negativos, não se esquecendo de que são compostas por ambos. 

Se reprimirmos nossos sentimentos, o significado que eles carregam acaba por se expressar de outra maneira (nem sempre tão saudável): através de uma doença física ou psíquica, por exemplo. E também não adianta tomar Prozac toda vez que uma depressão vier. Claro que a depressão não é bem aceita dentro da nossa sociedade capitalista: ela faz com que a pessoa se interiorize e passe a ver coisas que, durante a correria do dia-a-dia, ela não conseguiria ver. Por isso, um tempo a essa pessoa é necessário. Mas nenhuma pessoa, empresa ou família espera a recuperação de um processo depressivo para então voltar a ser útil (produzir). E a maioria das pessoas também não espera uma interiorização, pois muitas coisas que foram ignoradas são então encaradas. Na opção de unicamente tomar remédios, deixa-se de entender a função daquela doença na vida do indivíduo.

Alguns médicos já estão olhando o indivíduo como um todo, não somente como um órgão ambulante doente que precisa de remédio para sarar. E isso é de suma importância para que a cura (ou a melhoria de um estado de vida) se efetive e essa consciência de “ficar doente é feio” assuma um outro significado dentro da nossa sociedade.

Com muito esforço, há uma maneira de se escapar desse ciclo de compra e venda de padrões: auto-conhecimento. A partir do momento que se compreende o significado de determinada situação em nossas vidas, passa-se a observar mais, a se respeitar mais, a esperar mais (diminuindo a ansiedade) e, conseqüentemente, isso se reflete às pessoas que nos cercam. Este auto-conhecimento pode ser obtido através de terapia (individual ou em grupo), meditação, pintura, música, anotações de sonhos, dança, caminhada, um esporte radical ou qualquer outra atividade que toque o indivíduo. Isso sem contar as experiências mais profundas, que não podem ser descritas em palavras por serem indescritíveis. Enquanto tentarmos permanecer dentro de padrões, estaremos passando por cima da essência humana. E para que possamos nos aceitar da maneira como somos, precisamos (necessariamente) nos conhecermos. É através do auto-conhecimento que começamos a questionar os valores que nos cercam, modificamos nossas atitudes em relação aos outros e deixamos de andar em cima da linha traçada para que possamos ser diferenciados (não massificados).

Obviamente nenhuma mudança é fácil ou agradável, mas afinal de contas, qual o sentido da vida? Ela serve para que coloquemos nossas aspirações financeiro-profissionais acima do nosso desenvolvimento pessoal? Serve para vestirmos a máscara da perfeição e não abrimos mão dela? 

Essas questões são certamente polêmicas, pois muita gente julga isso como sendo bobagem ou coisa do gênero. Mas, justamente por serem polêmicas, devem ser pensadas, sem necessidade de parâmetros ou regras, já que cada vida possui o brilho que pode ter, assim como cada flor se diferencia pelo perfume que exala ou pela cor que exibe. Uma rosa não pode ter pétalas de margarida (por mais que ela queira), caso contrário ela não será uma rosa. Se a mãe-natureza respeita isso, então também podemos aprender a nos respeitar (através da observação de sua sabedoria ou de qualquer outro meio que nos proporcione um contato com o nosso íntimo).

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