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ORIENTAÇÃO VOCACIONAL

Magda Baeta

Os jovens enfrentam, em um determinado momento DA vida, a dificuldade de escolher Uma profissão.

A possibilidade e a necessidade de tomar decisões faz DA escolha um momento crítico de mudança em suas vidas.

Acredito que a educação profissional necessita ser compreendida, como um processo De aprendizagem em desenvolvimento, que deve começar cedo nas escolas e, então, evoluir ao longo De nossas vidas.

No dicionário um dos significados DA palavra profissão é: “declaração pública de uma crença, Sentimento, opinião ou modo de ser habitual”.

Como psicóloga orientadora profissional e gestalt-terapeuta, percebo que o papel do orientador Profissional é promover, acima de tudo, ao jovem que busca essa orientação, um processo De crescimento e desenvolvimento do potencial humano. A descoberta do “modo de ser”, Desse sentimento.

Utilizo como referencial teórico-prático alguns conceitos DA Gestalt-Terapia que servem de base e fundamento para a realização DA trajetória que o jovem percorre durante a orientação profissional.

Levo o orientando à reflexão sobre a problemática vocacional e possível elaboração.

Não vou aqui me deter ao aporte teórico DA Gestalt-Terapia e sim mostrar como é necessário Proporcionar aos jovens que nos procuram o entendimento de que não são pura e Simplesmente as condições do meio que determinam a existência e as escolhas de alguém, Mas também as características pessoais. É inegável que a opção profissional é projeto, tarefa, construção, mas precisa harmonizar-se com o modo de ser de cada um. Todos trazemos conosco O poder de construção DA identidade profissional. Para uns, isso é explícito; para outros, implícito.

Proporciono um espaço que permite ao orientando refletir sobre a sua escolha profissional, Aprender a realizar escolhas e construir um projeto de vida que inclua seu estudo e futura ocupação. O jovem deve desempenhar um papel ativo. A tarefa do orientador é esclarecer e informar, Ajudar o jovem a pensar.

O papel do orientando é, essencialmente, tomar uma decisão. Tomada de decisão adequada Baseia-se em fazer escolhas adequadas. Uma escolha madura depende DA elaboração dos conflitos e não de sua negação. Depende de uma identificação do jovem consigo mesmo (quando ele se Identifica com OS próprios gostos, interesses, aspirações, e identifica o mundo exterior – as profissões, As ocupações etc.) Talvez mais importante do que levar a termo a escolha de uma carreira seja levar A bom termo a escolha de um futuro (seja estudo ou trabalho), A diferença acha-se na aprendizagem de como escolher, que é o objetivo fundamental DA OP.

A escolha não é um momento estático no desenvolvimento DA pessoa.

Ao contrário, é um comportamento que se inclui num processo contínuo de mudança DA personalidade. Para um jovem definir o futuro não é somente definir o que fazer, mas, basicamente, definir quem ser e, Ao mesmo tempo, definir quem não ser. O fato de ter que abrir mão de uma infinidade de coisas ao Escolher uma delas provoca OS chamados lutos: pelo corpo infantil perdido, pela imagem ideal dos pais, Pela perda DA onipotência, pela escolha secundária etc.

Esta escolha, se feita de forma ajustada, através do autoconhecer-se e autogerenciar-se, Leva o jovem a congregar OS gostos e capacidades com as oportunidades exteriores.

Segundo Roberto Shinyashiki – Consultor Organizacional, em seu texto: Respeite a sua Vocação:

“Uma roseira é uma roseira e tudo o que produzir tem de partir de sua essência de roseira. Eu não imagino uma orquídea angustiada por não produzir laranjas nem uma laranjeira infeliz Porque não aparecem pêssegos entre suas folhas. A felicidade profissional vem quando trabalhamos Em algo que verdadeiramente tem algo que a ver com a nossa vocação. Quando não trabalhamos De acordo com a nossa missão pessoal, ficamos irritados, de mau humor, entediados e, Or conseqüência, não conseguimos servir a ninguém”.

Portanto, OS aspectos envolvidos na escolha de uma profissão constituem-se num entrelaçamento De fatores externos – momento histórico e social – e internos – processos psíquicos.

É um método psicoprofilático. A psicoprofilaxia pode ser entendida como toda atividade que, A partir de um plano de análise psicológica e mediante o emprego de recursos e técnicas psicológicas, Procura promover o desenvolvimento das potencialidades do ser humano, o amadurecimento como indivíduo e, finalmente, a felicidade.

O processo é dividido em 6 etapas:

1. Exploração: coleta de dados sobre o orientando e enquadre do mesmo; cabe ao orientador traçar um perfil DA pessoa e elaborar uma hipótese diagnóstica relativa à sua problemática.
2. Estudo das possibilidades: o orientando vai reconhecendo suas possibilidades, desejos E limitações; cabe ao orientador ajudá-lo a ampliar as opções e evidenciar contradições, Para aclarar OS desejos e interesses.
3. Escolha das alternativas: cabe ao orientador ajudar o cliente na análise dos prós e Contras de cada opção levantada.
4. Instrumentação: etapa relativa à informação, quando cabe ao orientador indicar material Informativo e corrigir distorções de informação.
5. Escolha propriamente dita: o cliente deve ser capaz de construir um projeto para o futuro; cabe ao orientador apoiá-lo na elaboração de alguns lutos.
6. Integração: o cliente consolida o início da construção da identidade ocupacional, num momento que concilia o trabalho do orientador e orientando.

O desafio para quem trabalha com orientação profissional hoje, é auxiliar o jovem a manter-se psicologicamente são e integrado, a fim de que amadureça neste mundo cada vez mais incerto, sem fronteiras exatas entre o espaço real e o virtual.

A pressão é grande e o jovem sofre com seu sentimento de competência posto à prova. Mesmo concorrendo a uma das pouquíssimas vagas disponíveis nas universidades públicas, 40% dos universitários abandonam as mesmas ainda no primeiro ano de curso. Segundo alguns estudos, os principais motivos dessa evasão são: a insatisfação com a escolha e a falta de amadurecimento emocional.

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